terça-feira, janeiro 30, 2007

 

Hoje paro para falar dum assunto sério... a EUTANÁSIA


Várias vezes a discussão sobre a Eutanásia veio à baila...Seja pelo filme “Mar Adentro”, do realizador espanhol Alejandro Amenábar, que retrata a condição humana de um homem tetraplégico que, após 28 anos duma vida que considera injusta, decide pôr termo à vida; A história de Ramón Sampedro tornou-se num ícone para os defensores da Eutanásia, ou seja, para aqueles que acreditam que alguém tenha o direito a por fim à sua própria vida.



Mas o debate já estava espalhado pela europa desde o caso do italiano Piergiorgio Welby (o homem na imagem) , que após 30 anos de sofrimento com uma distrofia muscular progressiva, que o obrigava a estar ligado a uma máquina, e que o impedia de falar, caminhar ou sequer mover-se. Com a ajuda dum sintetizador, conseguiu gravar o vídeo em que pôs termo à sua vida com a ajuda "duma mão amiga" em que dizia "a desgraça que passo não é vida... É um pensamento insane obrigarem-me a manter activas as minhas funções biológicas" e "fora eu suiço, belga e holandês, poderia evitar este ultraje, porém sou italiano, e aqui não há piedade" que mais tarde fora enviado como carta ao Presidente da Républica e lançou a polémica no Parlamento Italiano e um pouco por toda a Europa...



Em Portugal, um recente estudo da revista Teste Saúde da DECO Proteste, com mais de 1000 médicos inquiridos, indica que 69% dos médicos inquiridos admitem ter-se envolvido em práticas que reduziram a vida, sendo que apenas 1,4% admitem ter estado envolvidos em casos de Eutanásia


Antes de mais, é importante referir que se podem “classificar” dois tipos de eutanásia, a "eutanásia ativa" e a "eutanásia passiva". Embora existam duas “classificações” possíveis, a Eutanásia em si é o ato de facultar a morte sem sofrimento, a um indivíduo cujo estado de doença é crônico e, portanto, incurável, normalmente associado a um imenso sofrimento físico psíquico.
A "eutanásia ativa" conta com o traçado de acções que têm por objectivo pôr término à vida, na medida em que é planeada e negociada entre o doente e o profissional que vai levar e a termo o ato.
A "eutanásia passiva" por sua vez, não provoca deliberadamente a morte, no entanto, com o passar do tempo, conjuntamente com a interrupção de todos e quaisquer cuidados médicos, farmacológicos ou outros, o doente acaba por falecer. São cessadas todas e quaisquer ações que tenham por fim prolongar a vida. Não há por isso um ato que provoque a morte (tal como na Eutanásia Ativa), mas também não há nenhum que a impeça (como na Distanásia).
Nesse sentido, defende-se que tal acto não se trata de provocar a morte mas sim de evitar a utilização de meios desproporcionados de tratamento, medida aceite, usualmente, nos nossos dias. No entanto, acreditamos que esta problemática não poderá resultar assim tão clara. Determinados tratamentos, sem os quais o doente morrerá prematuramente, e que de alguma forma não lhe tragam nenhum malefício, não podem ser interrompidos sem que, essa interrupção, não seja qualificada como tendo como finalidade a morte do doente, tal como na eutanásia activa. É o exemplo da abstenção da alimentação de um doente comatoso, ou da abstenção de uma terapêutica antibiótica num doente com SIDA que sofra, por exemplo, de uma tuberculose.
Já a eutanásia activa, envolve a intervenção de um terceiro (geralmente o médico) que, com determinado acto, provoca a morte do paciente. Em ambos os casos, os dilemas éticos envolvidos relacionam-se com a vida humana, da qual todos somos responsáveis pelo poder que advém da nossa racionalidade, a autonomia, como suporte da liberdade e da dignidade humana e a beneficência como princípio ético fundamental dos profissionais de saúde.

(retirado da secção de BioÉtica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto)



O código deontológico afirma que o médico não pode terminar com a vida humana. Mas diz ainda que não deve ser instituído um tratamento que o doente não queira, ou ainda prolongada a sua vida sem que daí advenham quaisquer benefícios.


No total, 20% dos doentes em Portugal (fonte: Jornal Destak) pediram a abreviação da vida aos responsáveis pelo seu tratamento sendo motivados por dores crónicas, pela perda do sentido da vida e por se sentirem como um "peso" para a família. No entanto, note-se que as suas declarações de última vontade não têm qualquer valor legal em Portugal.



Mas, comprovada a sanidade mental do doente e os seus desejos, e é aqui que acredito que residem as dúvidas num grande parte dos casos, uma pessoa que seja incapaz de coordenar os seus movimentos (um exemplo entre vários possíveis) tem maior liberdade de escolha que qualquer outra pessoa perante a sua posição perante a vida? Isto é, não pode esta pessoa recorrer ao suicídio assistido (desculpem-me os que defendem que é diferente de eutanásia activa mas eu discordo), da mesma forma que recorre a técnicos de saúde e pessoas amigas todas as outras necessidades, sejam eles biológicas ou sociais? Será a suspensão dum tratamento, o aumento da sua dosagem, o não cumprimento duma terapia algo mais digno do que um acto deliberado que leve à morte do paciente? É justo que se deixe morrer mas que não o é que se mate?



O tema já foi abordado pelo Dr.House no episódio "Meaning" (3º da III temporada) e é de esperar que a discussão se instale!


Comments:
Em primeiro lugar tenho que fazer uma correcção,que não posso deixar passar. O episódio da série em que o tema da eutanásia é abordado chama-se "Informed Consent". O episódio "Meaning" fala-nos de esperança médica, visto que um paciente a quem não davam salvação possível estava era a sofrer de um acto de falta de tentativas médicas. No episódio "Meaning" os médicos deixaram de acreditar no paciente.
Passando à eutanásia.
A palavra "eutanásia" é composta de duas palavras gregas - "eu" e "thanatos" - e significa, literalmente, "uma boa morte". Ou seja, a eutanásia implica a morte de alguém para o próprio benefício desse alguém.
É um tema muito controverso, principalmente porque grande parte do mundo olha para a eutanásia com os olhos do cristianismo e acha que tirar a vida a alguém é fazer o papel de Deus. E apesar de muitos estados se considerarem laicos, acontece que não se conseguem afastar da religião.
Eu sou a favor da vida em todos os sentidos. Acredito acerrimamente nos direitos humanos e na qualidade de vida que eles exigem que uma pessoa tenha. Pergunto-me pois se uma pessoa à beira da morte, que vive todos os dias em sofrimento, devido a uma doença para a qual não existe solução, tem qualidade de vida? Eu sou a favor da dignidade humana, e acho que nestes casos a pessoa tem o direito de escolher como quer morrer. É a dignidade da pessoa humana que está em causa.
 
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